Apenas vinte e um anos separam as estreias dos balés que o Grupo Corpo traz nesse mês de agosto ao Rio de Janeiro. Mas os mundos que eles evocam são profundamente diversos.
Piracema, coreografia de Rodrigo Pederneiras e Cassi Abranches, que abre a noite, comemorou os 50 anos de atividades do Grupo Corpo em 2025, tem música especialmente criada por Clarice Assad e, em seus três momentos, sugere uma viagem pela natureza, pelo mundo urbanizado e por uma distopia que pode – ou não – ser revertida. Sua ideia central, a árdua jornada dos cardumes rio acima para desovar, cai com perfeição no cinquentenário do grupo mineiro, metáfora de recomeço constante da criação, símbolo de urgência e determinação.
Já Lecuona, coreografia de Rodrigo Pederneiras, apresenta onze canções românticas e uma valsa do cubano, criadas nos anos 1940 e 1950, todas banhadas a paixão e lágrimas. São recortes de um interlúdio onírico, da paixão e do sofrimento amoroso, banhados na música sofisticada desse criador de sólida formação na técnica clássica e incrível talento na seara popular.
Além disso, Piracema inaugurou a parceria de Rodrigo com Cassi, que em 2025 se tornou também coreógrafa residente do grupo; os dois trabalharam paralelamente, criando cada um seu balé, e reuniram suas concepções dois meses antes da estreia. Um método ousado, proposto pelo diretor artístico Paulo Pederneiras. Lecuona, por sua vez, representou em 2004 uma interrupção momentânea das encomendas de trilhas inéditas, adotada desde 1992; sua estrutura também é sui generis, com uma sequência de pas-de-deux – como as músicas de um LP – que culmina numa grande valsa, apoteótica, com seis casais.
O Grupo Corpo é apresentado pela Petrobras e conta com o patrocínio da Vivo e do Itaú, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
SERVIÇO
Data: 2 a 6 de setembro
Horário: Qua a sáb, 20h • sáb e dom, 17h
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Ingressos: Fever
De R$ 25 (meia entrada / balcão) a R$ 300 (inteira / balcão nobre)
Classificação indicativa: Livre


