Em um encontro revelador, a atriz e comunicadora Eliana Ovalle compartilha os bastidores de uma vida dedicada à arte. Entre palcos parisienses, laços familiares e experiências internacionais, ela revela uma trajetória marcada por sensibilidade, cultura e paixão pelo ofício. Nesta entrevista, fala sobre sua formação na França, sua atuação no teatro, a relação com a família e os vínculos que mantém até hoje com o universo cultural francês.

Chico Vartulli – Como se deu sua formação como atriz em Paris?

Eliana Ovalle – Minha formação em Paris aconteceu de forma muito intensa. Estudei no Cours Simon com profissionais renomados, mergulhando profundamente na arte dramática, na expressão corporal e na interpretação emocional. Paris, por si só, já é uma grande escola: respira cultura, arte e história, e isso contribuiu imensamente para o meu amadurecimento como atriz e como ser humano.

Chico Vartulli – Você chegou a atuar em Paris?

Eliana Ovalle – Tive a oportunidade de atuar na peça clássica Ma Cousine de Varsovie, escrita pelo dramaturgo francês Louis Verneuil, no Théâtre de la Michodière, em Paris, o que foi uma experiência extremamente enriquecedora.

Fui convidada pessoalmente pelo então diretor do teatro, Jacques Crépineau, para assumir o papel principal de Sonia na segunda temporada, substituindo a atriz Alexandra Lorska. Em cena no famoso teatro boulevard parisiense, contracenei com os atores Michel Beaune, Patrick Guillemin e Mireille Audibert.

Estar em cena em um ambiente tão exigente e culturalmente sofisticado me trouxe não apenas crescimento profissional, mas também uma visão mais ampla da arte e do público internacional.

Eliana Ovalle ao lado do príncipe Albert II de Mônaco, homenageado com a Grande Medalha de Ouro da Société d’Encouragement au Progrès, em 2024, durante cerimônia realizada em Paris, no Cercle de l’Union Interalliée. — Foto: Arquivo pessoal / Divulgação

Chico Vartulli – Você foi casada com um pintor francês. Como vocês se conheceram?

Eliana Ovalle – Eu estava passando férias no Guarujá com a minha mãe, no mês de julho, quando Richard também estava hospedado no mesmo hotel, passando as férias com o pai dele. Foi lá que nos conhecemos.

Desde o primeiro encontro, houve uma conexão muito especial entre nós. Nós nos conectamos por meio da arte, da sensibilidade e de uma visão de mundo muito semelhante. Foi uma relação marcada por intensidade, aprendizado e troca cultural profunda.

Chico Vartulli – Em seu relacionamento nasceu, na Cidade Luz, Bianca. Como foi a infância dela na França?

Eliana Ovalle – Bianca teve uma infância muito rica culturalmente. Crescer na França proporcionou a ela contato com arte, história, diversidade e educação de qualidade. Foi uma fase muito bonita, cheia de descobertas, estímulos e experiências que certamente contribuíram para a formação da pessoa que ela é hoje.

Bianca, inclusive, preserva até hoje amizades muito especiais desde a infância, primeiro na França e depois no Lycée Molière, onde estudou quando retornamos ao Brasil. Ela sempre teve esse dom raro de cultivar relações verdadeiras ao longo da vida, reunindo amigos com muito carinho e afeto. É uma pessoa extremamente querida por todos que convivem com ela.

Chico Vartulli – Seus sogros tinham uma bonita casa em Mônaco. As estadias naquele local lhe marcaram?

Eliana Ovalle – Sim, foram momentos muito marcantes. Mônaco é um lugar encantador, com uma beleza única e uma atmosfera sofisticada. As estadias lá foram especiais não apenas pelo cenário deslumbrante, mas também pelos momentos em família e pelas reflexões que aquele ambiente proporcionava.

Eliana Ovalle no tradicional restaurante francês Au Pied de Cochon, em Paris. — Foto: Arquivo pessoal / Divulgação

Chico Vartulli – Você tem atualmente algum vínculo importante com a França?

Eliana Ovalle – Sim, a França faz parte da minha história e da minha essência. Mantenho vínculos afetivos, culturais e profissionais com o país. É um lugar que sempre estará presente na minha trajetória e no meu coração.

Devido à minha atuação no teatro em Paris, fui indicada para receber uma medalha da Société d’Encouragement au Progrès. Logo após essa honraria, fui convidada a assumir a missão de delegada-geral da instituição para o Brasil.

Há 31 anos exerço essa função com grande honra, indicando personalidades brasileiras para serem homenageadas em Paris, sempre em locais históricos e emblemáticos, como o Senado francês, a Escola Militar e outras importantes instituições ligadas à tradição e à cultura francesa.

Chico Vartulli – Como foi ser agraciada com o Prêmio Yedda Maria Teixeira na categoria internacional?

Eliana Ovalle – Foi uma honra imensa e um reconhecimento profundamente significativo. Receber esse prêmio na categoria internacional representa não apenas a validação da minha trajetória fora do país, mas também o compromisso que sempre mantive com a excelência, a cultura e a representatividade brasileira no exterior.

Essa homenagem ganha um significado ainda mais especial por estar ligada à memória de Yedda Maria Teixeira, um ser humano de rara sensibilidade. Sua trajetória foi marcada pela distinção, pela educação impecável e pela forma gentil e elegante com que tratava as pessoas.

Yedda transmitia serenidade, generosidade e uma luz própria que tocava todos ao seu redor. E algo que sempre me emocionou profundamente foi o amor extraordinário que existia entre ela e sua nora, a escritora Joana Teixeira: um vínculo de afeto, respeito e cumplicidade tão forte e intenso que chegava a ser poético.

Foi um momento de muita gratidão e emoção.

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Chico Vartulli é colunista da Revista Vislun, arquiteto especializado em interiores e apaixonado por arte e cultura. Escreve sobre histórias, entrevistas e experiências do universo artístico.

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