A direção artística é de Paulo Pederneiras. O espetáculo foi dividido em duas apresentações: Piracema e Lecuona.

Duas apresentações potentes, encantadoras e emocionantes. O fino da dança contemporânea!

Piracema (2025) foi a primeira atração. A jornada dos cardumes rio acima para desovar foi apresentada com coreografias criadas por Rodrigo Pederneiras e Cassi Abranches, que se caracterizam por ser equilibradas e harmônicas, pulsantes e intensas, e valorizaram os corpos dos bailarinos, exibindo exuberância física e perfeição na execução das coreografias, com vigor e disciplina.

A música especialmente criada por Clarice Assad deixa transparecer o alto nível de criação, passando por diversos momentos, desde o som inicial dos bichos na floresta até uma parte techno, urbana, empolgante e enérgica. Abusa da utilização de ruídos e sons.

Os figurinos criados por Susana Bastos e Marcelo Alvarenga são adequados a uma apresentação de dança contemporânea, em tons de amarelo, lilás, azul e prata. Por sua vez, a cenografia criada por Paulo Pederneiras é marcada pela criatividade e originalidade, ao utilizar tampas de lata de sardinha que produzem um efeito visual incrível.

A iluminação criada por Paulo Pederneiras e Gabriel Pederneiras é boa, realça os bailarinos e varia conforme as cenas. Portanto, um espetáculo de qualidade e merecedor de elogios.

O segundo balé a se apresentar foi Lecuona (2004). O lado romântico tomou conta do TMRJ ao som das canções de Ernesto Lecuona, composições poéticas, melodias sonoramente aprazíveis e que transbordam sentimentos.

Ao contrário de Piracema, que tinha uma música original, neste foram selecionadas as canções do músico cubano. A coreografia criada por Rodrigo Pederneiras para os pares, num total de onze casais que dançam boleros, tangos e valsas, transbordou técnica interpretativa e emoção, contagiando e emocionando o público, que, ao final de cada apresentação, aplaudia euforicamente.

Os homens trajavam sempre preto, enquanto cada uma das bailarinas vestia vestidos coloridos, com diversas tonalidades. O contraste entre o preto das roupas masculinas e os tons coloridos das roupas femininas produziu um belo visual, criação de Freusa Zechmeister.

Ao final, as duplas foram substituídas por um grupo que dançou cercado por paredes de espelhos que, com a incidência da luz, refletiam e produziam um bonito efeito visual. Neste momento final, as mulheres utilizaram longos vestidos brancos.

A iluminação criada por Paulo Pederneiras delimita o espaço cênico ao projetar fachos monocromáticos de tons quentes, que se deslocam na caixa-preta, onde se apresenta o par de dançarinos, fato que acaba dando intensidade e dinâmica ao espetáculo. O fundo do palco, inteiramente preto, somente será modificado ao final, quando é tomado por espelhos.

Portanto, uma apresentação comovente e sensível.

Dois espetáculos apaixonantes, emocionantes e comoventes.

Excelente produção de dança!

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Alex Varela é colunista da Revista Vislun, historiador e professor da UERJ, com foco em cultura. Seus artigos trazem análises críticas, cobertura de espetáculos e exposições, além de reflexões sobre o cenário cultural brasileiro contemporâneo.

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