A exposição é produto da parceria entre o Centro Cultural da Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) e o Sesc RJ.
A curadoria é de Marcelo Campos. E a co-curadoria é de Leonardo Antan.
A curadoria organizou o material da exposição de forma didática, fato que facilita a compreensão e o entendimento da mostra, estabelecendo os elos entre os foliões e carnavalescos e os artistas plásticos. Entre as fotografias, as pinturas e gravuras, observamos os traços e linhas riscados com vibração, poesia e emoção.
A exposição inicia com bonitas fotografias de Guy Veloso e Vítor Melo, registradas ao vivo, de foliões na área de concentração dos desfiles, e no momento das apresentações das escolas de samba, quando os integrantes estão evoluindo, cantando e sambando.

As fotografias buscam apresentar a relação samba e africanidades, sobretudo por meio de representações religiosas, como a lavagem da Marquês de Sapucaí, temas ligados às divindades afro-brasileiras nos enredos, entre outras.
As fotografias deixam transparecer os sambistas riscando o chão da avenida, dando samba no pé, se empenhando para obter as melhores notas. E, quem sabe, ganhar o carnaval.
Do piso dos desfiles, onde reinam os sambistas e carnavalescos, passamos para as telas de pinturas e gravuras, onde os artistas visuais riscam a sua arte, com cores, emoção e poesia.
O artista Carlos Scliar apresenta telas coloridas, com tons vibrantes, e representações da natureza morta, como folhas, flores, entre outras.

Athos Bulcão nos apresenta suas linhas curvas, cujas telas vão se transformar em bonitos azulejos expostos por diversos edifícios públicos, sobretudo em Brasília.
Dionísio Del Santo apresenta telas com figuras e formas geométricas, e linhas horizontais e verticais. Aparece a linguagem dos círculos, semi-círculos, quadrados, triângulos, trapézios. Diversos tons em verde e amarelo, terra, azul, entre outros.
Nas telas do artista Alfredo Volpi, há o predomínio do azul, branco, verde, repletas de bandeirinhas de festas juninas.
E, por fim, Abelardo Zaluar e suas telas com formas geométricas, como quadrados e triângulos, e bastante coloridas.
Os artistas cujas obras foram expostas não estão mais vivos. Tiveram intensa atuação nas décadas de cinquenta, sessenta e setenta do século passado, num momento em que as vertentes concretistas os inspiravam. E deixaram transparecer linhas, cores, ritmos, cultura, emoção e poesia. Riscaram as telas e paredes das galerias, onde expuseram com poesia e sentimento. Homenagem válida e oportuna!
Todas as obras de arte estão expostas em suportes, onde aparecem referências gráficas do alfabeto Adinkra, e cada um dos grafismos apresenta significados distintos. Estes grafismos inspiraram artistas ao moldarem os portões de ferro em casas dos subúrbios cariocas, espaços estes também do carnaval, com seus coretos, blocos e cortejos de clóvis.
Por sua vez, os nomes dos artistas aparecem em grafismos inspirados no estilo art nouveau.
A exposição é bonita, bem organizada e apresenta harmonia e equilíbrio nas produções exibidas.
Ótima produção de artes plásticas!



