O texto de Leandro Soares é uma comédia distópica que reúne humor e crítica, transitando entre o cômico e o trágico. Divertida e contemporânea, a obra é repleta de situações absurdas e se insere em uma investigação sobre a natureza e os fundamentos do teatro.
O tema central é o fazer teatral e suas bases estruturais: direção, dramaturgia e atuação. A peça está estruturada em quatro partes — prólogo, a coisa, o enigma e a máscara. Esta última, no nosso ponto de vista, é a melhor parte, pois evidencia a importância da expressão facial para a interpretação.
Ao longo do texto, há referências a diversos autores e tradições teatrais. São mencionados autores antigos como Sófocles, modernos como William Shakespeare e contemporâneos como Samuel Beckett. A Commedia dell’arte também é citada, forma de teatro popular renascentista marcada pelo improviso e pelo uso de máscaras.
A direção, assinada por André Dale, George Sauma e Leandro Soares, foca no texto e privilegia a liberdade em cena. Os atores demonstram estar à vontade no palco para realizar a interpretação de seus personagens.
O elenco é constituído por André Dale, George Sauma e Leandro Soares. A atuação é comovente e notável. O trio se mostra unido, sintonizado e entrosado. Interpretam com qualidade, bom humor e intensidade, emocionando e divertindo o público. Dominam o texto, transmitindo-o com clareza e com humor crítico e hilário. Estabelecem diálogos intensos e velozes, além de manterem boa comunicação com a plateia. As projeções complementam as falas, e os deslocamentos intensos permitem que ocupem todos os espaços do palco. Trata-se de uma atuação diferenciada, digna de elogios e aplausos.
Os figurinos, criados pelo próprio elenco, são simples e adequados, facilitando o deslocamento em cena. Os atores vestem camisa e calça brancas.
A cenografia, criada por Júlia Marina, é mínima, composta por três cadeiras brancas dispostas juntas. A fita crepe, embora não seja um elemento cenográfico tradicional, aparece sobre o palco ao longo da peça e integra a composição visual.
A iluminação de Clarice Sauma apresenta um desenho de luz que contribui para realçar a interpretação dos atores. A variação luminosa acompanha o contexto das cenas, criando ritmo e dinamismo e complementando as falas.
Texto, direção, cenografia, figurinos e iluminação formam um conjunto harmônico e coeso, evidenciando a qualidade do espetáculo.
Excelente produção cênica!



