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Chico Vartulli

Entrevista com o artista visual francês Philippe Seigle

Chico VartulliPor Chico Vartulli3 de fevereiro de 2026Nenhum comentário9 Minutos lidos
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Um estilo do pintor Philippe Seigle. Foto: Divulgação
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Artista visual francês de projeção internacional, Philippe Seigle construiu uma trajetória marcada pela intensa relação entre arte, viagens e encontros humanos. Apaixonado pelo Rio de Janeiro — cidade que se tornou uma de suas principais fontes de inspiração —, Seigle transforma paisagens, rostos e memórias em pinturas vibrantes, guiadas pela emoção e pela força das cores. Nesta entrevista, o artista fala sobre sua conexão com a “cidade maravilhosa”, a importância das viagens em sua formação pessoal e artística, seu processo criativo autodidata, suas referências nas artes plásticas, o papel das emoções em sua pintura, além da relevância de ter sido nomeado Embaixador de Turismo do Rio de Janeiro e seus projetos para o futuro.

Chico Vartulli – Olá, Philippe! Como surgiu a sua paixão pela cidade do Rio de Janeiro? O que mais te fascina na “cidade maravilhosa”?

Philippe Seigle – O Rio sempre teve essa particularidade de ser uma cidade que quer ser fotografada a cada cinco minutos, como qualquer linda garota. Raramente encontrei lugares onde tivesse tanto prazer em capturar momentos tão magníficos.

Além disso, há essa descontração, essa arte de viver, essa gentileza e esse jeito carioca, como se costuma dizer, que fazem do Rio uma cidade cativante, com praias magníficas, locais incríveis para visitar, mas, acima de tudo, as pessoas.

Veja bem: eu viajei toda a minha vida e sempre digo que são as pessoas que me marcam, e os cariocas me marcaram muito. Eu adoro essa cidade e o seu povo.

Chico Vartulli – Você é um artista que viajou muito. Qual é a importância das viagens para a sua formação?

Philippe Seigle – Viajo desde criança, pois meu pai era diplomata e eu o acompanhei por alguns anos. Depois, optei por entrar no setor hoteleiro internacional, o que me permitiu descobrir o mundo, viver em cerca de vinte países e visitar outros 70.

Quando você se depara e se mistura com várias culturas, fala várias línguas e descobre os costumes de outras religiões, isso abre sua mente e permite que você compreenda melhor o mundo, com suas qualidades e defeitos.

Além, é claro, de descobrir paisagens extraordinárias, desejos, impressões e riquezas. Mais uma vez, é principalmente descobrir pessoas, fazer novos amigos, pessoas que não têm nada a ver com você e que você teria poucas chances de conhecer se não tivesse viajado.

Tudo isso é uma riqueza incrível e, além disso, agora que sou artista, pintor, continuo a expor em muitos lugares do mundo, principalmente para não parar de viajar.

Chico Vartulli – Quando você viaja para um país, o que você mais procura observar?

Philippe Seigle – Quando viajo para um país, a primeira coisa que faço é evitar tudo o que é muito turístico. Tento, pelo menos, não ir aos locais muito concorridos e, acima de tudo, informar-me junto aos habitantes locais: onde ir, o que comer, o que visitar. Para mim, é essencial imergir na cultura local.

Acho uma pena que alguns turistas atravessem o mundo para, no final, passar as férias em uma praia que poderia estar em qualquer lugar. Por natureza curiosa, gosto das pessoas, das diferenças e, acima de tudo, de descobrir coisas novas. Por outro lado, não suporto lugares muito turísticos.

Por exemplo, se eu for à Ásia, nunca irei a um restaurante asiático cheio de estrangeiros. Prefiro procurar um lugar frequentado pelos habitantes locais; penso que, pelo menos, será autêntico e certamente melhor. São pequenas coisas que aprendemos com o tempo.

Também gosto do lado aventureiro: partir sem saber exatamente para onde se vai, tomando, é claro, certas precauções. O que mais me atrai é esse espírito de descoberta.

Lembro-me, em particular, de uma viagem a Porto Rico, pouco depois de um furacão ter devastado a ilha. Eu queria ir para lá para apoiar os habitantes, mostrar que não havia perdido a confiança neles e, à minha maneira, levar um pouco de conforto.

Assim, tive a oportunidade de descobrir Porto Rico sem turistas, em contato com pessoas incríveis, profundamente orgulhosas por eu ter visitado a ilha após a catástrofe. É esse tipo de situação e experiência que eu aprecio particularmente.

Um belo trabalho do artista.

Chico Vartulli – Quando você começou a se interessar pela pintura?

Philippe Seigle – Sempre tive uma veia artística dentro de mim, sem ter plena consciência disso. Eu desenhava muito, já na escola, e mais tarde durante reuniões.

Um dia, uma artista brasileira, a quem eu havia mostrado meus desenhos, me disse: “Você tem talento, deveria perseverar”. Foi o que fiz.

Comecei a pintar pequenos quadros, que ainda não eram em tela, mas simplesmente em grandes folhas de papelão. Então, alguém me sugeriu que tentasse pintar em tela.

Aos poucos, como um verdadeiro autodidata, treinei, e isso se tornou uma paixão. Com o tempo, as pessoas começaram a se interessar. Algumas me propuseram expor meu trabalho e, hoje, fiz disso minha atividade principal.

É uma felicidade que desejo a todos: ter uma paixão. Quando se é apaixonado, não é mais uma obrigação. Não fazemos as coisas porque somos obrigados, mas porque gostamos.

Hoje, aproveito um talento que eu nem imaginava ter. Eu me considero um eterno adolescente e continuo sendo um iniciante. É mantendo essa mentalidade que a gente progride.

Recebo muitos conselhos das pessoas ao meu redor. Não tenho um modelo específico: é principalmente a minha imaginação que me guia. Eu sou, acima de tudo, um colorista.

Chico Vartulli – Quais são as suas principais referências (teóricas e práticas) no campo das artes plásticas?

Philippe Seigle – Talvez eu pareça um pouco estranho, mas, na verdade, não tenho nenhum modelo. É claro que acho certas coisas bonitas e isso pode variar de um artista para outro, mas não copio nem me inspiro diretamente no trabalho deles.

Isso provavelmente se deve ao fato de eu ser autodidata: não estudei Belas Artes e nunca fui moldado pela história da arte ou influenciado por pintores em particular. É precisamente por isso que gosto de preservar essa forma de inocência na minha abordagem.

Quando as pessoas olham para os meus quadros e me dizem: “Dá para ver que é você”, isso é, para mim, o maior elogio, o maior sucesso que posso alcançar.

Por outro lado, não gosto tanto quando pensam que copiei ou me inspirei em tal ou tal artista. Às vezes, sinto-me tocado pela vida de certos artistas, pela sua trajetória, mas não necessariamente pela sua arte.

Talvez seja complexo de explicar, mas estou bem assim. Sou eu, é o meu estilo, é singular, e é precisamente por isso que sou feliz.

Chico Vartulli – As suas pinturas refletem a sua paixão por viajar?

Philippe Seigle – Sim, com certeza. Aliás, quando você olhar minhas pinturas, verá muitas das minhas viagens. É claro que o Brasil está presente, que é uma das minhas principais fontes de inspiração, mas também a Ásia, a África, o Oceano Índico, o Caribe e muitos outros lugares por onde passei e dos quais guardo lembranças maravilhosas.

No entanto, além dos lugares, são principalmente as emoções vividas nesses destinos que procuro transmitir. Não basta que um lugar seja lindo para que eu queira pintá-lo. É preciso mais do que isso: uma emoção, um encontro, uma história, algo mais profundo para me inspirar.

O artista Francês em seu ateliê com suas lindas obras atrás.

Chico Vartulli – Que mais você gosta de retratar em suas pinturas?

Philippe Seigle – Mais uma vez, se você observar meu trabalho, notará a presença de muitos personagens e retratos. Isso não é surpreendente, pois sou um homem que gosta de conhecer pessoas e aprecia profundamente o contato humano.

Aliás, foi isso que mais me inspirou durante minhas viagens. Você também verá muitos quadros em que vários rostos coexistem na mesma tela.

Para mim, isso representa a diversidade, a mistura, às vezes de traços de caráter diferentes. Gosto desse efeito de rostos agrupados, muitas vezes provenientes de origens diversas.

Por fim, há também as lembranças, a infância. Gosto de pintar paisagens daqui ou de outros lugares, locais que me lembram esse período e que alimentam minha memória e minha imaginação.

Chico Vartulli – Qual é a importância para a sua trajetória de ter sido nomeado Embaixador de Turismo no Rio de Janeiro?

Philippe Seigle – Para ser embaixador do turismo da cidade do Rio, é preciso, acima de tudo, ser apaixonado por esta cidade. É preciso ter vivido momentos extraordinários aqui, ter trabalhado aqui — como foi o meu caso —, ter tido experiências profissionais e pessoais maravilhosas e, simplesmente, ter se apaixonado pelo Rio e pelos seus habitantes.

Ser embaixador do turismo do Rio de Janeiro é um privilégio e uma honra. Na minha qualidade de vice-presidente responsável pela representação internacional, posso garantir que contribuo ativamente para a promoção da cidade, não só através da minha arte — pois pinto muito o Rio —, mas também através dos inúmeros encontros e trocas que tenho com as pessoas sobre este tema.

Já aconteceu de eu orientar e enviar muitos viajantes ao Rio, turistas que não sabiam para onde ir e que descobriram uma cidade extraordinária, com um único desejo depois disso: voltar.

Também sou o humilde padrinho da associação Coração Solidário e, como você pode ver, a distância nunca foi um obstáculo na minha vida. O coração não tem noção de distâncias.

Chico Vartulli – Quais são os seus planos futuros?

Philippe Seigle – Na verdade, não tenho planos específicos. Deixo-me levar pela vida, deixo-me levar pelo tempo, deixo-me levar pela minha arte, pelos meus encontros, pelos meus amigos, pela minha família.

Espero continuar a viajar, a expor pelo mundo, continuar a descobri-lo e a cuidar de mim e daqueles que me são queridos, mas tudo isso, claro, de forma contínua, pintando, vivendo minha paixão e saboreando o dom que me foi dado.

Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação

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Arquiteto, dedicado a interiores, com pós-graduação em Berlim e curso de decoração em Londres, amante da arte e cultura.

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