Chico Vartulli – Olá Marcelo! Qual é a sua proposta curatorial para a exposição “Manguezal”?
Marcelo Campos – A proposta para a exposição Manguezal foi relacionar a pesquisa resultante do livro homônimo com artistas que tiveram esse ecossistema como estímulo de criação. Com isso, reunimos imagens e obras de arte que retratam manguezais desde um gravura do século XVII a obras de artistas muito jovens, em linguagens variadas.
Chico Vartulli – Como surgiu o projeto da exposição?
Marcelo Campos – O projeto surge a convite da editora Andrea Jackobson que teve a ideia de fazer uma exposição a partir do livro.

Chico Vartulli – Na exposição os mangues sâo fontes de inspiração artística. Como os artistas que participam da exposição representaram os mangues?
Marcelo Campos – Artistas no Brasil sempre trataram dos manguezais, de modos variados. Por um lado, muitas e muitos residem em áreas de manguezais; por outro, a lama repleta de nutrientes advindos dos manguezais cria sentidos fabulares na imaginação dos artistas, como o elemento essencial para esculpir os seres humanos, por exemplo.
Chico Vartulli – A preocupação com a conservação dos mangues se faz presente na exposição? Justifique.
Marcelo Campos – Muito, na ordem do simbólico, artistas mostram que a convivência com os manguezais se faz presente, em performances e fotografias. Além de colocarmos textos de especialistas que tratam disso.
Chico Vartulli – Os mangues também sâo fontes de sobrevivência das populações que vivem ao seu redor. Essa relação ecossistema e ser humano atravessa a exposição? Justifique.
Marcelo Campos – Trazemos dois momentos musicais específicos, as Ganhadeiras de Itapuã, grupo musical de mulheres que vivem da pesca e coleta dos manguezais; e um grupo de Acupe, em Santo Amaro, interior da Bahia, que gravam cantos ligados aos trabalhos nos manguezais.

Chico Vartulli – A exposição apresenta uma relação inédita entre manguezal e carnaval. Como aparece essa relação?
Marcelo Campos – A escola de samba Acadêmicos da Grande Rio traz dois momentos de criação sobre os manguezais, o enredo de 2025, do qual trazemos uma instalação baseada no carro alegórico sobre o mito das Caruanas; o enredo de 2026, de onde trazemos fantasias.
Chico Vartulli – Você já esteve em algum manguezal?
Marcelo Campos – Sim, em alguns lugares do Brasil: Recife, Bahia, Rio.
Chico Vartulli – Quais são os seus projetos futuros?
Marcelo Campos – Há alguns projetos em curso, dentre os quais, uma grande exposição sobre a comunidade LGBTQIAPN+.
Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação


