O Bando de Palhaços celebra 15 anos de trajetória com o espetáculo COMO NOS LIVROS, que tem temporada no Teatro de Arena do Sesc Copacabana, de 13 de novembro a 7 de dezembro, com sessões de quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 18h. A montagem marca o segundo trabalho do grupo voltado ao público adulto, depois de Adeus, Ternura (2018), com dramaturgia de Rafael Souza-Ribeiro e direção de Rodrigo Portella.

Escrita por Cecilia Ripoll e dirigida por André Paes Leme, COMO NOS LIVROS parte de uma provocação curiosa: e se as traças, ao devorarem livros, também absorvessem a linguagem e a complexidade humana?

Em cena, cinco traças vivem confinadas em um abafado apartamento em Copacabana. Cada uma mora em um livro — O Cortiço, O Capital, o Código Penal e até um cartão postal antigo —, mas a harmonia se rompe quando uma delas quebra uma regra de convivência: devorar o miolo de um livro ainda em uso, justamente o do dono da casa. A partir daí, o caos se instaura: elas têm 24 horas para traçar um plano de salvação antes de serem exterminadas. Entre delírios, citações e planos improváveis, essas criaturas filosóficas tentam escapar do destino enquanto repetem, com ironia, os mesmos padrões humanos que criticam. “A traça é usada para traçar uma metáfora com o humano, que, como ela, carrega a contradição de destruir e corroer sua própria moradia”, explica Ripoll.

Escrita especialmente para o Bando, a dramaturgia nasceu de um processo de criação coletiva. Cecilia, que já havia trabalhado com o grupo em Na Borda do Mundo (indicado ao Prêmio APTR 2021), inspirou-se na experiência cômica de cada ator para criar personagens cheios de personalidade, contradições e excentricidades. “Nós, do Bando, gostamos da possibilidade de nos lançarmos em aventuras investigativas diferentes a cada espetáculo, do risco de novas descobertas”, diz Ana Carolina Sauwen, uma das fundadoras. “O texto da Cecilia propõe um mergulho na palavra, de uma maneira que ainda não tínhamos feito juntos.”

O espetáculo marca o reencontro de André Paes Leme com a linguagem cômica. Com mais de 30 anos de carreira, o diretor — que se divide entre o Rio de Janeiro e Lisboa — transita entre comédias, dramas, musicais e óperas, assinando montagens de autores nacionais e estrangeiros. Este é seu primeiro trabalho inédito no país em 2025, no qual aposta na abertura e no diálogo direto com a plateia para dar corpo ao universo das traças. “O espetáculo traz uma discussão muito rica, de forma inusitada: são insetos que discutem a humanidade. Isso é muito original”, comenta. “Assumir a presença do público é importante para que não se faça uma leitura realista da peça. Assim, o aspecto crítico fica mais forte e o espetáculo se torna mais leve e vibrante.”

O elenco reúne Ana Carolina Sauwen, Filipe Codeço, Mariana Fausto, Pablo Aguilar e o ator convidado Fabrício Neri. Juntos, dão vida a uma fábula divertida, poética e inquieta, que brinca com o limite entre o humano e o inseto, entre a palavra e o instinto, entre o delírio e a razão.

Bando de palhaços. – créditos foto Roberto Carneiro

SINOPSE
Num abafado apartamento em Copacabana, os livros estão jogados às traças. Prestes a serem despejadas, as sorrateiras habitantes da biblioteca se reúnem para traçar soluções. Na iminência de serem lançadas Rio de Janeiro afora, refletem sobre a vida na cidade. 

Bando de Palhaços  

Fundado em 2010, no Rio de Janeiro, o Bando de Palhaços é reconhecido por sua pesquisa continuada, que integra palhaçaria e teatro em projetos de excelência. O grupo atua também na formação artística, ministrando oficinas de palhaçaria para os mais diversos públicos. Em seu repertório, destacam-se os espetáculos Adeus, Ternura (direção de Rodrigo Portella), Jogo! (direção do grupo – Prêmio CBTIJ de Melhor Coletivo de Atores e Atrizes), Rio do Samba ao Funk (direção de Fernando Escrich – Prêmio APCA), Na Borda do Mundo (supervisão de Luis Carlos Vasconcelos – indicado ao Prêmio APTR) e Sobre Narizes e Jalecos, além do podcast Bando de Histórias. 

Cecilia Ripoll – autora

Dramaturga, diretora, atriz e professora, foi indicada ao Prêmio Shell RJ por duas vezes como autora: em 2023 por PANÇA (sua direção) e em 2018 por ROSE (dirigido por Vinicius Arneiro). Entre suas dramaturgias autorais mais recentes estão: Felizarda (direção de Beatriz Barros, 2025), Fantasiosa Exposição da Palavra (codireção com Juliana França, 2024), Constituição, o ovo ou a galinha? (direção de Juliana França, 2024), FEIO (direção de Helena Marques, 2023) e Memórias de uma Manicure (direção de René Guerra, 2023). Em 2023, seu texto ROSE reestreou encenado na Cidade do México, sob direção de Alejandro Velis. Formada em Artes Cênicas pela UNI-RIO, é uma das fundadoras do Grupo Gestopatas. 

André Paes Leme – diretor

Doutor e mestre em Estudos Artísticos na especialidade de Estudos de Teatro pela Universidade de Lisboa, graduado pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), onde, atualmente, ocupa o cargo de Diretor da Escola de Teatro e leciona no Curso de Direção Teatral, desde 1999. Já encenou dezenas de espetáculos, entre peças de teatro, musicais, óperas e concertos. Tem especial interesse na direção de atores e em pesquisas cênicas que originam da transposição da narrativa literária. Merecem destaque as seguintes encenações: Agosto, de Tracy Lettes; Hamelin, de Juan Mayorga; Pequenos trabalhos para velhos palhaços, de Matei Visniec; A hora e vez de Augusto Matraga, de Guimarães Rosa; Engraçadinha, de Nelson Rodrigues; Candeia, de Eduardo Rieche. Recentemente, comemorando o centenário da autora Clarice Lispector, estreou o espetáculo A Hora da Estrela ou O Canto de Macabéa. Em janeiro de 2023 estreou  A hora do boi, de Daniela Pereira de Carvalho e, em agosto, Viva o povo brasileiro, a partir do romance de João Ubaldo Ribeiro.  

Ficha Técnica
Direção: André Paes Leme 
Assistente de direção: Diogo Nunes
Texto: Cecilia Ripoll 
Elenco: 
Ana Carolina Sauwen, Fabrício Neri, Filipe Codeço, Mariana Fausto e Pablo Aguilar 
Direção musical: Rodrigo Maré 
Cenário: Cachalote Mattos 
Figurino: Arlete Rua 
Visagismo: Mona Magalhães 
Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni. 
Assessoria de imprensa: Lyvia Rodrigues | Aquela que divulga 
Programação visual: Ludmila Valente 
Mídias sociais: Manu Calmon | Calmon LAB 
Fotógrafo: Roberto Carneiro 
Produção executiva: Ana Flávia Massadas 
Direção de produção: Fernanda Pascoal | Pagu Produções Culturais 
Realização: Bando de Palhaços 

Serviço 
Temporada: de 13 de novembro a 7 de dezembro de 2025 
Dias da semana: de quinta a domingo 
Horário: quinta a sábado, às 20h; domingo, às 18h 
Local: Teatro de Arena do Sesc Copacabana 
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ 
Duração: 75 minutos 
Classificação: 12 anos 
Ingressos: R$ 10 (associado Sesc), R$ 15 (meia-entrada), R$ 30 (inteira) 
Venda online: Ingresso.com
Capacidade: 250 lugares 
Gênero: comédia dramática  

Compartilhar.

Conteúdo sob a linha editorial da Revista Vislun, com informação, tendências atuais e olhar crítico contemporâneo.

Comentários estão fechados.