Há histórias que resistem ao tempo não apenas pela força dos fatos, mas pela capacidade de atravessar gerações com uma humanidade pungente. É nesse território sensível que se insere Anne Frank – Fragmentos do Diário, espetáculo que estreia no dia 3 de abril no Teatro Vannucci, onde permanece em cartaz até o dia 26.
Mais do que revisitar um dos relatos mais emblemáticos do século XX, a montagem propõe um mergulho íntimo na memória, transformando palavras escritas em confinamento em uma experiência cênica carregada de empatia e presença. A encenação parte de trechos originais do diário de Anne Frank para construir uma narrativa que oscila entre o cotidiano e a iminência da ruptura — entre a esperança que insiste e a despedida que se aproxima.
A condução da história se dá por meio de um narrador singular: um amigo de Otto Frank, que arriscou a própria vida para proteger a família durante a ocupação nazista. É a partir de seu relato que o público é levado ao fatídico momento da descoberta do esconderijo. Em cena, o tempo não é linear — ele se dobra. Os 25 meses vividos no Anexo Secreto coexistem com as últimas horas antes da invasão, criando uma atmosfera de tensão contínua.
Com um elenco de oito atores, os fragmentos do diário ganham corpo e voz, revelando o dia a dia no confinamento: os conflitos inevitáveis da convivência, as regras silenciosas de sobrevivência, o humor que resiste como forma de defesa e a constante vigilância imposta pelo medo. Tudo é atravessado por uma sensação de urgência — como se cada gesto estivesse à beira de se tornar memória. Fazem parte do elenco: Anna Clara Roessler, Eleusa Mancini, Giovanna Sassi, Juliano Antunes, Leandro da Matta, Luiza Boldrini, Nicolas Freitas e Willy Roessler.
Há, no entanto, algo que transcende o contexto histórico. O espetáculo não se limita a reconstituir fatos, mas reafirma sentimentos universais. Anne, que sonhava em ser escritora e tocar o mundo com suas palavras, encontra no palco um eco tardio — e profundamente necessário. Sua voz, mais de 80 anos depois, segue viva, lembrando que mesmo diante da barbárie, a humanidade pode florescer.
A dramaturgia costura esses fragmentos com delicadeza, tendo como eixo o relato do “último dia”, narrado por Victor Kugler, um dos responsáveis por esconder a família. À medida que o desfecho se aproxima, o público acompanha não apenas o avanço da ameaça externa, mas a transformação interna de Anne — de uma adolescente comum a um símbolo universal de resistência sensível.
Com direção de Lucia Cerrone e Marllos Silva, a montagem aposta na força do essencial: palavra, atuação e atmosfera. O resultado é um espetáculo que não apenas emociona, mas convoca — a lembrar, a sentir e, sobretudo, a não esquecer.

FICHA TÉCNICA:
Idealização: Lucia Cerrone
Adaptação do texto: Giovanna Sassi e Lucia Cerrone
Elenco: Anna Clara Roessler, Eleusa Mancini, Giovanna Sassi, Juliano Antunes, Leandro da Matta, Luiza Boldrini, Nicolas Freitas e Willy Roessler
Direção: Lucia Cerrone e Marllos Silva
Iluminação: Marllos Silva
Visagismo: Fernando Ocazzione
Cenário: Giovanna Sassi
Figurinos: Aline Ciafrino
Fotos de divulgação: Bianca Oliveira
Artes gráficas e redes sociais: Geovana Landgraf
Assessoria de imprensa: Vira Comunicação
Produção executiva: Manu Hashimoto
Direção de Produção: Fabrizio Sassi
Produção Associada: Scuola di Cultura e Obra Cultural
Serviço
Anne Frank – Fragmentos do Diário
📍 Teatro Vannucci
📅 De 03 a 26 de abril
🗓 Sextas e sábados, às 21h | Domingos, às 19h30
⏱ Duração: 70 minutos
🎭 Classificação: 10 anos
Vendas pelo site e app da Sympla ou na bilheteria do teatro.


