Em foco – Olá Marzio! Onde você nasceu? Infância e adolescência? Formação fundamental e média?

Marzio Fiorini – Eu nasci e cresci em Petrópolis, a cidade Imperial. Minha formação começou no Instituto Moreira da Fonseca, uma pequena e clássica escola, da qual tenho as melhores memórias dessa época, depois entrei na fase que não me adequava e tampouco me encaixava no sistema.. Rsrsrs

Frequentei boas e nobres escolas por obrigação, Instituições que não me apresentaram nada do meu interesse e não me representam, pois nunca fizeram sentido na minha formação como homem e como profissional.

Em foco – Quando você começou a se interessar pelas artes plásticas?

Marzio Fiorini – Eu não me lembro de não ter me interessado pela arte em algum momento da minha vida. Certamente minha família traz a arte no DNA.

Meu avô italiano, um artista, amante da moda, da boa música e da boa mesa,
naturalmente me despertou quando percebeu meu olhar para o mundo.
Por outro lado, meu avô paterno, mineiro e fazendeiro, me mostrou a beleza da simplicidade rural, quebrando os hábitos do garoto da cidade.

Hoje, percebo o quão privilegiado eu sou. Haver crescido nessa dualidade de estilos de vida que certamente estão implícitos na minha alma e explícitos na minha obra.

Em foco – Como se deu a sua formação na área das artes plásticas? Quais são as suas principais referencias de artistas (nacionais e estrangeiros)?

Marzio Fiorini – Me considero um autodidata, minha formação está em constante evolução e aprendizado. Como curioso que sou, sempre estudo e pesquiso aquilo que me interessa e me inspira. Sobre referências, sou admirador de tantos artistas incríveis e inspiradores, entre eles destacaria Da Vinci, Matisse, Picasso, Pollock, Sonia Delaunay, Eduardo Sued, Amilcar de Castro, Miró, Calder….

Na plateia do desfile de Jean Paul Gautier em Paris, com a querida Rossy de Palma.

Em foco – No seu ponto de vista, o que é ser um artista plástico? Qual deve ser a função social do artista?

Marzio Fiorini – Ser um artista plástico significa ser eu mesmo. Eu sou fiel ao que sinto e ao que quero expressar, portanto, o exercício de materializar o pensamento resulta na obra de arte, nos posicionando com artistas.

A função social de um artista é trazer à tona os desejos de uma sociedade através da sua expressão, muitas vezes quebrando regras e rompendo barreiras, provocando o entendimento de um sentimento muito simples, mas que na maioria das vezes, está reprimido ou adormecido.

Em foco – Quais são as características do seu trabalho como artista?

Marzio Fiorini – Expressar minha arte da forma mais sincera e amorosa que minha alma é capaz de sentir e captar!

Em foco – Definir o conceito de joias de borracha.

Marzio Fiorini – Eu criei o conceito as Joias de Borracha no ano de 1998, apresentando a primeira coleção em janeiro de 2001 com a presença da querida Carmen Mayrink Veiga, que na época escrevia para a revista QUEM e fez uma matéria sobre minha criação. Homenageei Carmen criando um colar que leva seu nome.

É da minha natureza enxergar outra função para o que se apresenta e encontrar destinação diferente para os materiais sempre foi uma característica minha, assim, seguindo esse sentimento, criei as Joias de Borracha.

A ousadia de chamar de joia um adorno feito de borracha ainda causa algum espanto atualmente, imagine a reação há 23 anos!

Criei esse conceito que me levou para o mundo todo pensando numa mulher independente, que sabe o que quer, que tem estilo, tem conhecimento do que a moda significa e como fazer disso para se destacar no cenário social.

Nunca criei para aquela mulher que apenas usa o que dizem para ela usar, essas são vítimas do erro, mas não é meu dever repreende-las, minha tarefa é criar, informar e suprir a mulher que conhece e deseja o  melhor, se eu puder colaborar com a formação de um novo público com um novo olhar através das minhas criações, também me traz muita alegria.

Marzio nos bastidores, após o último desfile do genial Jean Paul Gautier ao lado.

Em foco – Você é um artista reconhecido internacionalmente com diversas premiações. Quais foram as principais exposições internacionais de maior sucesso que você realizou?

Marzio Fiorini – É muito difícil destacar o que foi mais importante na minha carreira.
Para mim tudo é importante! A trajetória nos constrói e nos solidifica.

Cada exposição, cada prêmio, cada obra vendida, causa aquela sensação de conquista e que estou no caminho certo.

Ter minha obra em importantes coleções particulares mundo  afora, me dá energia para continuar e me provoca desbravar mais e mais esse universo inesgotável de possibilidades.

Em foco – No universo artístico internacional, em que lugar você situa a produção brasileira? Como o artista brasileiro é visto no exterior?

Marzio Fiorini – Eu posso dizer que sempre me senti muito bem em qualquer lugar do mundo.
Não acho que exista alguma diferença entre artistas e suas nacionalidades,  diria que pode existir diferença entre artistas e determinadas posturas,  possibilitando criar esse sentimento de diferença.

Em foco – As cidades italianas foram o berço do Renascimento, espaço onde nasceram gênios da pintura e foram produzidas magistrais obras de arte. Como esse rico legado cultural italiano se faz presente em sua formação como artista?

Marzio Fiorini – Trago esse legado na minha estrutura genética. Não me enxergo de outra forma desde que me percebi um artista. Os FIORINI são  oriundos da Toscana. A nobre família se dividiu no século XVIII, parte se mudou para a Sicília. Meu avô nasceu em Verona em 1902 e veio para o Brasil quando meu bisavô decidiu viver aqui..

Em foco – Quais são os seus projetos futuros? E, para finalizar, deixe uma mensagem para os seus seguidores.

Marzio Fiorini – Estou trabalhando uma nova série de pinturas para as próximas exposições.
Novos projetos se apresentam e são sempre muito bem-vindos.
Eu adoro a vida em movimento, criar diariamente é o meu prazer é exercício preferido!

Minha mensagem:

Amo a vida, sigo minha intuição, minha curiosidade sempre me leva a novos caminhos.
Vivo intensamente cada segundo e a única certeza que tenho é a de que tudo passa.
E eu não deixo passar nada!

Marzio Fiorini com Catherine Zeta Jones usando sua criação, o colar DIVA, no jantar da Copperbridge Foundation em Havana.
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Arquiteto, dedicado a interiores, com pós-graduação em Berlim e curso de decoração em Londres, amante da arte e cultura.

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