Nesta conversa, o artista compartilha aspectos marcantes de sua trajetória, iniciada ainda na infância, em um ambiente cercado por grandes nomes das artes visuais. Ao longo da entrevista, ele aborda o despertar de seu interesse pela arte e a influência de seu pai e de importantes mestres em sua formação. Aquila também reflete sobre seu processo criativo, suas referências e a maneira como compreende a arte como expressão do afeto e da emoção. Além disso, discute as características de seu fazer artístico, destacando a importância da cor, do espaço e da identidade pessoal em suas obras. Por fim, apresenta seus projetos mais recentes e futuros, incluindo novas produções e exposições, evidenciando sua constante renovação no cenário artístico.
Chico vartulli – Olá, Luiz Aquila! Qual é a avaliação que você faz da sua trajetória como artista plástico?
Luiz Aquila – A minha trajetória como artista plástico começa muito cedo, porque eu vivia no mundo da visualidade. Meu pai era arquiteto e foi pintor, principalmente até seus 30 e poucos anos. Então, a casa era frequentada por artistas como Djanira, Portinari, Scliar… havia sempre uma presença frequente de artistas na casa. Djanira, por exemplo, era minha vizinha, por isso havia uma proximidade muito grande.
Chico vartulli – Quando você começou a se interessar pelas artes plásticas?
Luiz Aquila – No fundo, eu sempre quis ser artista; eu sempre quis me situar na vida como artista plástico, como uma pessoa que lida com a visualidade e cria a partir da própria visualidade.
Chico vartulli – Como se deu a sua formação na área?
Luiz Aquila – Acho injusto dizer que sou um autodidata; na verdade, eu talvez tenha sido um autodidata no sentido de criar um roteiro para mim. Porque primeiro eu fui aluno do meu pai, que era um excelente professor de arte. Eu descia de bonde o bairro de Santa Teresa com ele, e era uma aula permanente sobre arquitetura, sobre visualidade, sobre ter um olho que escolhe, que discrimina, que cria. Posteriormente, busquei pessoas que pudessem me ajudar, como Ticiana Bonazzola, uma artista italiana que dava aula no Rio; também tive aulas com o Oswaldo Goeldi, que era “o” grande gravador brasileiro. Um dos maiores expressionistas era brasileiro. Tive aula com Aluísio Carvão, que foi a conversa da cor; foi quando aprendi a lidar com a cor, pensar sobre a cor, a cor e o espaço. E é interessante que tive esses dois “professores” que eram considerados extremos: o Carvão com o neoconcreto e o Goeldi, um figurativo expressionista. Mas acho que meu trabalho contém algo de cada um deles, onde a cor é importante, a franqueza da cor é importante, mas, ao mesmo tempo, a expressão e o rastro do pincel são importantes.
Chico vartulli – Quais são as suas referências (práticas e teóricas) na área?
Luiz Aquila – Referências teóricas eu não tenho muitas. Eu li bastante sobre arte, mas não há nenhum caminho teórico das artes plásticas que tenha me ajudado tanto. Um livro que me ajudou muito foi “O Arco e a Lira”, do Octavio Paz, que é um livro independente do suporte ou da forma de expressão que você escolhe; é uma grande publicação sobre a criação artística.
Chico vartulli – Como você define a arte?
Luiz Aquila – Eu acho que arte é uma maneira de organizar o afeto. Você dá forma à emoção, fazendo uma ponte sobre esse buracão que está sempre à frente. Há essa necessidade de construir uma ponte que mantém esse sentido da vida. Arte, para mim, é lidar com a emoção, construir a partir da emoção e refletir sobre o que você sente. Então, é você ter, dentro do possível, razão e emoção.
Chico vartulli – Quais são as características do seu fazer artístico?
Luiz Aquila – Eu acho que meu trabalho tem isso que já disse anteriormente: tem uma franqueza na cor, consciência do espaço bidimensional e, ao mesmo tempo, o rastro pessoal. Ou seja, a minha identidade nítida sobre a superfície.
Chico vartulli – Quais são os seus projetos futuros?
Luiz Aquila – Depois de anos em Petrópolis, estou de volta ao Rio, com um novo ateliê na Praia de Botafogo. Produzi uma série inédita chamada “Impregnação e sensação”, que faz parte da coletiva “Constelações – 40 Anos do Paço Imperial”, que será inaugurada com cerca de 100 artistas no Paço, no dia 28 de março. Essas obras, em cartão, pastel, tinta guache e bastão de óleo, ressignificam as experiências vividas na viagem de 15 dias que fiz ao México, no final de outubro do ano passado, por ocasião da celebração do Dia dos Mortos.
Fotos: Arquivo pessoal/Divulgação




